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	<title>Comentários para Trienal de Arquitectura de Lisboa</title>
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		<title>Comentário em Pensar os Vazios Urbanos por Flávio Macedo</title>
		<link>http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-46</link>
		<dc:creator>Flávio Macedo</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Sep 2008 00:38:51 +0000</pubDate>
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		<description>Olá Marcio Campos.

Meu nome é Flávio Macedo, natural de Brasília-DF, Brasil, e estou começando a pensar em um tema para a monografia de conclusão do curso de geografia na Universidade de Brasília. Um dos temas que eu me interesso muito é justamente o trtado nesta página, que fala sobre os cheios e vazios urbanos. Por isso, se não fosse muito incomodo, gostaria que o senhor pudesse me indicar algumas bibliografias, para que eu possa me aprofundar neste assunto.

Muito obrigado! 
aguardo respostas.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Olá Marcio Campos.</p>
<p>Meu nome é Flávio Macedo, natural de Brasília-DF, Brasil, e estou começando a pensar em um tema para a monografia de conclusão do curso de geografia na Universidade de Brasília. Um dos temas que eu me interesso muito é justamente o trtado nesta página, que fala sobre os cheios e vazios urbanos. Por isso, se não fosse muito incomodo, gostaria que o senhor pudesse me indicar algumas bibliografias, para que eu possa me aprofundar neste assunto.</p>
<p>Muito obrigado!<br />
aguardo respostas.</p>
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	<item>
		<title>Comentário em Pensar os Vazios Urbanos por zsjyx dtahugce</title>
		<link>http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-45</link>
		<dc:creator>zsjyx dtahugce</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 12 Jul 2008 01:27:56 +0000</pubDate>
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		<description>tvdhpkn xdrsthecm psvfcru rdlxkic xbnze agzfwlmo ckzjl</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>tvdhpkn xdrsthecm psvfcru rdlxkic xbnze agzfwlmo ckzjl</p>
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	<item>
		<title>Comentário em Pensar os Vazios Urbanos por Maurio Daniel</title>
		<link>http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-27</link>
		<dc:creator>Maurio Daniel</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 14:37:50 +0000</pubDate>
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		<description>peço desculpas pelas gafis ortograficas mas a pressa tem dessas coisas</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>peço desculpas pelas gafis ortograficas mas a pressa tem dessas coisas</p>
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	</item>
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		<title>Comentário em Pensar os Vazios Urbanos por Maurio Daniel</title>
		<link>http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-26</link>
		<dc:creator>Maurio Daniel</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Mar 2007 14:36:38 +0000</pubDate>
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		<description>Fazendo usu das palavras pronunciadas na exposição do arquitecto Byrne sob o tema de &quot;geografias vivas&quot; podemos decurtinar o problema que em portugal desde as épocas medievais sempre se teve na urbe dos epaços, as construções organica (muitas produzidas sem planos estruturante de desenvolvimento ou evolução) ex: alfama; Embora existam varias excepções como é de se esperar, mas é claro, apartir da formação dos arquitectos o &quot;medo do Vázio&quot;, que se repercurte na arquitectura fisica da cidade...a exemplo veja-se a zona de odivelas ou outras pela capital e não só. De facto o vázio pragmatico é um problema portugues e na sua gene deriva do modo de vida provinciano português onde as distancias são entendidas como barreiras de contacto e relação interpessoais e até mesmo históricas. É assim um facto há necessidades de esvaziar os espaços edificados. Mas por onde começar? a especulação imobiliaria...os acessos debelitados....vários aspectos contribuem para o que se vê hoje em portugal e a resposta a estas problema só pode ser alterado pela educação sobre estas questões e ainda decorrente da educação e da mudança de mentalidades que: &quot;não é pelo facto de ser Portugal um pais pequenos que nos temos que apertar&quot;; Pois o vázio é também um sinal de qualidade de Vida a ex: Belém. já antes se pensou a cidade sobre muitos aspectos e de importação que inglesa quer francesa é altura de redescobrir-mos um modelo Português que comtemple a necessidade de espaços e que esses criem por si só a utopia de uma paisagem escapista de deleite. Em suma cidades que se possa visitar todos os dias com o mesmo espanto de um turista. &quot;vamos para fora cá dentro&quot;...porque só a utopia de qualidade cria cidades iconicas</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Fazendo usu das palavras pronunciadas na exposição do arquitecto Byrne sob o tema de &#8220;geografias vivas&#8221; podemos decurtinar o problema que em portugal desde as épocas medievais sempre se teve na urbe dos epaços, as construções organica (muitas produzidas sem planos estruturante de desenvolvimento ou evolução) ex: alfama; Embora existam varias excepções como é de se esperar, mas é claro, apartir da formação dos arquitectos o &#8220;medo do Vázio&#8221;, que se repercurte na arquitectura fisica da cidade&#8230;a exemplo veja-se a zona de odivelas ou outras pela capital e não só. De facto o vázio pragmatico é um problema portugues e na sua gene deriva do modo de vida provinciano português onde as distancias são entendidas como barreiras de contacto e relação interpessoais e até mesmo históricas. É assim um facto há necessidades de esvaziar os espaços edificados. Mas por onde começar? a especulação imobiliaria&#8230;os acessos debelitados&#8230;.vários aspectos contribuem para o que se vê hoje em portugal e a resposta a estas problema só pode ser alterado pela educação sobre estas questões e ainda decorrente da educação e da mudança de mentalidades que: &#8220;não é pelo facto de ser Portugal um pais pequenos que nos temos que apertar&#8221;; Pois o vázio é também um sinal de qualidade de Vida a ex: Belém. já antes se pensou a cidade sobre muitos aspectos e de importação que inglesa quer francesa é altura de redescobrir-mos um modelo Português que comtemple a necessidade de espaços e que esses criem por si só a utopia de uma paisagem escapista de deleite. Em suma cidades que se possa visitar todos os dias com o mesmo espanto de um turista. &#8220;vamos para fora cá dentro&#8221;&#8230;porque só a utopia de qualidade cria cidades iconicas</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Comentário em Pensar os Vazios Urbanos por José Mateus</title>
		<link>http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-25</link>
		<dc:creator>José Mateus</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Mar 2007 11:07:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-25</guid>
		<description>SPREEBOGEN 33-91-07 (José Mateus)

 “…estes [ vazios] abrem uma multiplicidade de possibilidades, de modo que a combinação dos esquemas textuais se torna uma decisão selectiva do leitor…“
Wolfgang Iser [1]

I. VAZIOS URBANOS
Na cidade contemporânea, um dos maiores recursos para a sua reavaliação reside nos lugares degradados, “obsoletos“, ou marginais, que encontramos disseminados desde o tecido urbano consolidado às periferias. Formam uma verdadeira rede de hipóteses, que, quando avaliadas em conjunto, podem produzir um profundo impulso reformador da cidade. “Vazios Urbanos“, “Brownfields“, “Terrain Vague“ ou “Espaços Banais“, são designações comuns para estes lugares que deveriam estar presentes de forma consciente e concertada, nos planos estratégicos das cidades. 
O arquitecto espanhol Ignasi de Solà-Morales, definiu com clareza estes territórios : “uma área sem limites claros, sem uso actual, vaga, de difícil compreensão na percepção colectiva dos cidadãos, constituindo normalmente um rompimento no tecido urbano. Mas é também uma área disponível, cheia de expectativas, de forte memória urbana, com potencial original: o espaço do possível, do futuro“ [2]

II. TEXTO
Se entendermos a cidade como um texto, os vazios urbanos são  vocábulos em falta, ou que, temporariamente parecem desajustados do texto global. Neste sentido, estes vazios não devem ser avaliados isoladamente, pois é com a sua clarificação que o texto global, a cidade, ganha consistência, uma nova dimensão.
Na cidade, cabe ao arquitecto a interpretação do potencial infinito desses vazios, e, com a sua capacidade transformadora, tem o poder “transcendente“ de decidir o destino do texto global. Tal como Iser enuncia para o texto literário.

III. MEMÓRIAS 
A memória desses locais, por vezes de grande importância no imaginário colectivo, leva-nos a encarar os vazios urbanos muito para além de uma visão meramente pragmática. O seu valor não decorre apenas da sua disponibilidade como território para transformação física ou infra-estrutural, ou da sua localização estratégica na cidade, mas, seguramente, dos sucessivos factos ali ocorridos. A memória destes lugares torna-os irrepetíveis. Daí o fascínio que exercem, e, por consequência, o seu poder. 

IV. SPREEBOGEN
Foi esse fascínio que senti há dezasseis anos, quando no Verão de 91, visitei um dos contextos urbanos mais paradigmáticos: o Spreebogen, distrito urbano do Reichstag (parlamento alemão) em Berlim.

A história deste bairro cruzara-se tragicamente com a trajectória da história mundial. Com a chegada ao poder de Hitler; com o início da 2ª guerra mundial; com a morte de Hitler e o fim da guerra; com a construção do muro de Berlim; e, finalmente, com a sua queda.
 
O Spreebogen havia sido o centro do poder até ao misterioso incêndio do Reichstag em 27 de Fevereiro de 1933. Algumas evidências apontam para uma equipa organizada por Hitler, para incriminar Marinus van der Lubbe, um Jovem comunista holandês, a “necessária“ evidência da conspiração comunista contra o Estado alemão. Assim se abriu o caminho para o julgamento em série de comunistas “suspeitos“, e para uma cadeia de decisões políticas e actos “defensivos“ contra cidadãos e Estados comunistas. O incêndio que naquele edifício deflagrou, foi o detonador da Lei da Autoridade que conferiu a Hitler a legitimidade de ditador. Em sentido literal, foi o rastilho de uma vaga de destruição planetária. 

O Spreebogen era também Alsenviertel, um bairro habitacional da alta burguesia onde se construíra a Ópera Kroll em 1851. Era uma área urbana de prestígio, abraçada pela curva do rio Spree (daí o nome do distrito, “bogen“ significa curva ou arco), através do qual os barcos transportavam passageiros e mercadorias. 
Com o desenvolvimento das infra-estruturas ferroviárias, os transportes no Spree entraram em declínio, e, o início da construção de um ambicioso plano de Hitler, precipitou o destino do bairro. Tratava-se do centro do império alemão, o Große Halle encomendado por Hitler a Albert Speer em 1937. O projecto baseava-se na introdução de um longo eixo monumental orientado no sentido norte-sul, pontuado por edifícios governamentais, que passava pelas Leipziger Platz e Potsdamer Platz, e terminava numa monumental praça quadrangular rematada pelo Große Halle. Era um edifício neoclássico com uma fachada de 300m de largura e uma cúpula de 98 m de altura, que, assinalava a grande distância o centro do império. Preparava-se o cenário para grandes cerimónias de culto do regime, numa praça dimensionada para uma parada militar de um milhão de indivíduos. Uma parte substancial da destruição do Spreebogen deveu-se às demolições do Alsenviertel decretadas por Hitler para materializar o projecto de Speer. A própria guerra e a construção do muro que passava também ali fizeram o resto (na realidade, dois muros paralelos configurando um canal sinuoso e armadilhado que dividiu violentamente Berlim).

O Spreebogen faz a transição entre o Tiergarten, o conhecido boulevard na zona ocidental e a zona antiga da cidade, no lado oriental, onde se localiza a Spreeinsel (embrião histórico da cidade) e as mais emblemáticas obras de Karl Friedrich Schinkel. Com a chegada do muro foram demolidas as pontes (Alsenviertelbrücke e kronprinzenbrücke) que irradiavam sobre o Spree em direcção à agora Berlim Oriental. O parlamento alemão foi transferido para Bona, e, durante 40 anos, o Spreebogen perdeu o seu significado. Tornou-se um território marginal, desprezado, em suspenso. Um Vazio Urbano.

Ao caminhar por ali, esse imaginário lancinante esteve sempre presente. Nas proximidades encontravam-se ainda soterrados os restos do bunker de Hitler. Edifícios semi-abandonados, fachadas entaipadas, restos de muro, pontes demolidas e ruas sem casas, indiciavam um imaginário violento que o vizinho Tiergarten, ou as extensas superfícies de relvado, não eram capazes de iludir.

Recordo a inquietante visita clandestina à estação de metro desactivada, que estava vazia e fechada há décadas. Após ter entrado através de uma grade que alguém arrombara, foi como se tivesse recuado subitamente aos anos 40. Nesta estação-fantasma suspensa no tempo, existiam ainda inscrições nazis e os comboios passavam “indiferentes“.

Ao abandonar aquele lugar alienado, estava longe de imaginar que, no ano seguinte, viria a entregar um projecto para o concurso internacional para a reformulação urbana do Spreebogen. Foi um dos projectos mais complexos e interessantes da minha carreira. 

Quinze anos após ter sido seleccionada a proposta vencedora (Axel Schultes + Charlotte Frank), independentemente das considerações sobre o conceito levado à prática, o Spreebogen retomou o seu papel central e estruturante em Berlim. A par do Spreebogen, zonas como a Leipziger Platz, Potsdamer Platz, Spreeinsel e Alexander Platz, foram focos de uma intensa revolução urbana. Em apenas quinze anos, mudou radicalmente a face da área central de Berlim, numa demonstração expressiva do potencial encerrado por estes vazios urbanos.

1. [Wolfgang Iser, In O Acto da leitura: uma teoria do efeito estético – vol II, p. 128-129]
2. [Solà-Morales, I. Terrain Vague. In Anyplace, Cambridge: MIT/Any, p. 118-123]</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>SPREEBOGEN 33-91-07 (José Mateus)</p>
<p> “…estes [ vazios] abrem uma multiplicidade de possibilidades, de modo que a combinação dos esquemas textuais se torna uma decisão selectiva do leitor…“<br />
Wolfgang Iser [1]</p>
<p>I. VAZIOS URBANOS<br />
Na cidade contemporânea, um dos maiores recursos para a sua reavaliação reside nos lugares degradados, “obsoletos“, ou marginais, que encontramos disseminados desde o tecido urbano consolidado às periferias. Formam uma verdadeira rede de hipóteses, que, quando avaliadas em conjunto, podem produzir um profundo impulso reformador da cidade. “Vazios Urbanos“, “Brownfields“, “Terrain Vague“ ou “Espaços Banais“, são designações comuns para estes lugares que deveriam estar presentes de forma consciente e concertada, nos planos estratégicos das cidades.<br />
O arquitecto espanhol Ignasi de Solà-Morales, definiu com clareza estes territórios : “uma área sem limites claros, sem uso actual, vaga, de difícil compreensão na percepção colectiva dos cidadãos, constituindo normalmente um rompimento no tecido urbano. Mas é também uma área disponível, cheia de expectativas, de forte memória urbana, com potencial original: o espaço do possível, do futuro“ [2]</p>
<p>II. TEXTO<br />
Se entendermos a cidade como um texto, os vazios urbanos são  vocábulos em falta, ou que, temporariamente parecem desajustados do texto global. Neste sentido, estes vazios não devem ser avaliados isoladamente, pois é com a sua clarificação que o texto global, a cidade, ganha consistência, uma nova dimensão.<br />
Na cidade, cabe ao arquitecto a interpretação do potencial infinito desses vazios, e, com a sua capacidade transformadora, tem o poder “transcendente“ de decidir o destino do texto global. Tal como Iser enuncia para o texto literário.</p>
<p>III. MEMÓRIAS<br />
A memória desses locais, por vezes de grande importância no imaginário colectivo, leva-nos a encarar os vazios urbanos muito para além de uma visão meramente pragmática. O seu valor não decorre apenas da sua disponibilidade como território para transformação física ou infra-estrutural, ou da sua localização estratégica na cidade, mas, seguramente, dos sucessivos factos ali ocorridos. A memória destes lugares torna-os irrepetíveis. Daí o fascínio que exercem, e, por consequência, o seu poder. </p>
<p>IV. SPREEBOGEN<br />
Foi esse fascínio que senti há dezasseis anos, quando no Verão de 91, visitei um dos contextos urbanos mais paradigmáticos: o Spreebogen, distrito urbano do Reichstag (parlamento alemão) em Berlim.</p>
<p>A história deste bairro cruzara-se tragicamente com a trajectória da história mundial. Com a chegada ao poder de Hitler; com o início da 2ª guerra mundial; com a morte de Hitler e o fim da guerra; com a construção do muro de Berlim; e, finalmente, com a sua queda.</p>
<p>O Spreebogen havia sido o centro do poder até ao misterioso incêndio do Reichstag em 27 de Fevereiro de 1933. Algumas evidências apontam para uma equipa organizada por Hitler, para incriminar Marinus van der Lubbe, um Jovem comunista holandês, a “necessária“ evidência da conspiração comunista contra o Estado alemão. Assim se abriu o caminho para o julgamento em série de comunistas “suspeitos“, e para uma cadeia de decisões políticas e actos “defensivos“ contra cidadãos e Estados comunistas. O incêndio que naquele edifício deflagrou, foi o detonador da Lei da Autoridade que conferiu a Hitler a legitimidade de ditador. Em sentido literal, foi o rastilho de uma vaga de destruição planetária. </p>
<p>O Spreebogen era também Alsenviertel, um bairro habitacional da alta burguesia onde se construíra a Ópera Kroll em 1851. Era uma área urbana de prestígio, abraçada pela curva do rio Spree (daí o nome do distrito, “bogen“ significa curva ou arco), através do qual os barcos transportavam passageiros e mercadorias.<br />
Com o desenvolvimento das infra-estruturas ferroviárias, os transportes no Spree entraram em declínio, e, o início da construção de um ambicioso plano de Hitler, precipitou o destino do bairro. Tratava-se do centro do império alemão, o Große Halle encomendado por Hitler a Albert Speer em 1937. O projecto baseava-se na introdução de um longo eixo monumental orientado no sentido norte-sul, pontuado por edifícios governamentais, que passava pelas Leipziger Platz e Potsdamer Platz, e terminava numa monumental praça quadrangular rematada pelo Große Halle. Era um edifício neoclássico com uma fachada de 300m de largura e uma cúpula de 98 m de altura, que, assinalava a grande distância o centro do império. Preparava-se o cenário para grandes cerimónias de culto do regime, numa praça dimensionada para uma parada militar de um milhão de indivíduos. Uma parte substancial da destruição do Spreebogen deveu-se às demolições do Alsenviertel decretadas por Hitler para materializar o projecto de Speer. A própria guerra e a construção do muro que passava também ali fizeram o resto (na realidade, dois muros paralelos configurando um canal sinuoso e armadilhado que dividiu violentamente Berlim).</p>
<p>O Spreebogen faz a transição entre o Tiergarten, o conhecido boulevard na zona ocidental e a zona antiga da cidade, no lado oriental, onde se localiza a Spreeinsel (embrião histórico da cidade) e as mais emblemáticas obras de Karl Friedrich Schinkel. Com a chegada do muro foram demolidas as pontes (Alsenviertelbrücke e kronprinzenbrücke) que irradiavam sobre o Spree em direcção à agora Berlim Oriental. O parlamento alemão foi transferido para Bona, e, durante 40 anos, o Spreebogen perdeu o seu significado. Tornou-se um território marginal, desprezado, em suspenso. Um Vazio Urbano.</p>
<p>Ao caminhar por ali, esse imaginário lancinante esteve sempre presente. Nas proximidades encontravam-se ainda soterrados os restos do bunker de Hitler. Edifícios semi-abandonados, fachadas entaipadas, restos de muro, pontes demolidas e ruas sem casas, indiciavam um imaginário violento que o vizinho Tiergarten, ou as extensas superfícies de relvado, não eram capazes de iludir.</p>
<p>Recordo a inquietante visita clandestina à estação de metro desactivada, que estava vazia e fechada há décadas. Após ter entrado através de uma grade que alguém arrombara, foi como se tivesse recuado subitamente aos anos 40. Nesta estação-fantasma suspensa no tempo, existiam ainda inscrições nazis e os comboios passavam “indiferentes“.</p>
<p>Ao abandonar aquele lugar alienado, estava longe de imaginar que, no ano seguinte, viria a entregar um projecto para o concurso internacional para a reformulação urbana do Spreebogen. Foi um dos projectos mais complexos e interessantes da minha carreira. </p>
<p>Quinze anos após ter sido seleccionada a proposta vencedora (Axel Schultes + Charlotte Frank), independentemente das considerações sobre o conceito levado à prática, o Spreebogen retomou o seu papel central e estruturante em Berlim. A par do Spreebogen, zonas como a Leipziger Platz, Potsdamer Platz, Spreeinsel e Alexander Platz, foram focos de uma intensa revolução urbana. Em apenas quinze anos, mudou radicalmente a face da área central de Berlim, numa demonstração expressiva do potencial encerrado por estes vazios urbanos.</p>
<p>1. [Wolfgang Iser, In O Acto da leitura: uma teoria do efeito estético – vol II, p. 128-129]<br />
2. [Solà-Morales, I. Terrain Vague. In Anyplace, Cambridge: MIT/Any, p. 118-123]</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Comentário em Pensar os Vazios Urbanos por Miles</title>
		<link>http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-24</link>
		<dc:creator>Miles</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 12:43:23 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-24</guid>
		<description>porque estará este espaço vazio de debate ?
sera que o universo do vazio pairou até onde se pensava encher-lo ?

talvez venha da própria filosofia desta bienal... uma filosofia imensamente contraditoria e complexa...

esta contradição pode se simbolizar por o seu &quot;edificio sede&quot; 

como um evento que trabalha sobre o vazio (que podemos tamber chamar cheio...) pode &quot;ter&quot; um edificio-sede ?

como pode este evento escolher sediar-se numa &quot;referencia paradigmatica da arquitectura portuguesa e internacional&quot; quando os vazios são frutos daquilo que a cidade, a sua evoluçao e suas pessoas tem de mais genuino, de mais natural enquanto processo ?

acho importantissimo o aparecimento desta trienal de arquitectura, e do tema que ela-se escolheu... começar com o vazio... havera algo mais poetico?

tenho medo que se torna naquilo que parece ja ser, um espaço de debate entre gente, e um vazio a volta protegendo das pessoas reais, aquelas que praticam os vazios (arquitectos visitam os vazios... mas quem os vive ?)... Alguém ja lhes pregunto o que era o vazio ? No organigrama, só constam arquitectos urbanistas pensadoresm, etc... Haverá uma pessoa cujo titulo seja, por exemplo, &quot;habitante&quot;... &quot;pessoa lambda&quot;... &quot;especialista em nada&quot; ?

mas esta contradiçao tambem pode-se simbolisar por mais...

porque fazer um concurso de ideias aberto à todos e fecha-lo aos &quot;officiais da casa&quot;. porque não aceitar a ideia que, talvez, o desenho de uma criança de 6 anos constitui uma proposta mais pertinente que a melhor proposta do melhor arquitecto registado deste concurso. Pois este concurso não fala de &quot;realização&quot;, pede-nos ideias e debates... Quer isto dizer que cada pessoa que quizesse entrar neste debate teria de estar &quot;acompanhada&quot; por um &quot;arquitecto coordenador&quot;... O que é isso ?

Falamos de um evento que se foca em espaços foram do registo habitual... E deveriamos aceitar que seja impostas regras &quot;normais&quot; ???

A trienal tem nas suas mãos um belo projecto, um coisa cujas qualidades poderiam ser reconhecidas, tanto quanto o é a &quot;arquitectura portuguesa contemporanea&quot;.... Espero que não caia demasiado baixo...

Este comentário é oriundo de alguem que anda, pratiqua e pensa dentro dos vazios urbanos há alguns anos e que tem medo que as ideias e propostas oriundas desta trienal seja apenas outdoors a mais ao lado daqueles que ja vendem opel corsa e creme anti-rugas pousados em algum vazio qualquer e numerosas edições de catalogos...


Miels Supico aka Desamparadinho........</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>porque estará este espaço vazio de debate ?<br />
sera que o universo do vazio pairou até onde se pensava encher-lo ?</p>
<p>talvez venha da própria filosofia desta bienal&#8230; uma filosofia imensamente contraditoria e complexa&#8230;</p>
<p>esta contradição pode se simbolizar por o seu &#8220;edificio sede&#8221; </p>
<p>como um evento que trabalha sobre o vazio (que podemos tamber chamar cheio&#8230;) pode &#8220;ter&#8221; um edificio-sede ?</p>
<p>como pode este evento escolher sediar-se numa &#8220;referencia paradigmatica da arquitectura portuguesa e internacional&#8221; quando os vazios são frutos daquilo que a cidade, a sua evoluçao e suas pessoas tem de mais genuino, de mais natural enquanto processo ?</p>
<p>acho importantissimo o aparecimento desta trienal de arquitectura, e do tema que ela-se escolheu&#8230; começar com o vazio&#8230; havera algo mais poetico?</p>
<p>tenho medo que se torna naquilo que parece ja ser, um espaço de debate entre gente, e um vazio a volta protegendo das pessoas reais, aquelas que praticam os vazios (arquitectos visitam os vazios&#8230; mas quem os vive ?)&#8230; Alguém ja lhes pregunto o que era o vazio ? No organigrama, só constam arquitectos urbanistas pensadoresm, etc&#8230; Haverá uma pessoa cujo titulo seja, por exemplo, &#8220;habitante&#8221;&#8230; &#8220;pessoa lambda&#8221;&#8230; &#8220;especialista em nada&#8221; ?</p>
<p>mas esta contradiçao tambem pode-se simbolisar por mais&#8230;</p>
<p>porque fazer um concurso de ideias aberto à todos e fecha-lo aos &#8220;officiais da casa&#8221;. porque não aceitar a ideia que, talvez, o desenho de uma criança de 6 anos constitui uma proposta mais pertinente que a melhor proposta do melhor arquitecto registado deste concurso. Pois este concurso não fala de &#8220;realização&#8221;, pede-nos ideias e debates&#8230; Quer isto dizer que cada pessoa que quizesse entrar neste debate teria de estar &#8220;acompanhada&#8221; por um &#8220;arquitecto coordenador&#8221;&#8230; O que é isso ?</p>
<p>Falamos de um evento que se foca em espaços foram do registo habitual&#8230; E deveriamos aceitar que seja impostas regras &#8220;normais&#8221; ???</p>
<p>A trienal tem nas suas mãos um belo projecto, um coisa cujas qualidades poderiam ser reconhecidas, tanto quanto o é a &#8220;arquitectura portuguesa contemporanea&#8221;&#8230;. Espero que não caia demasiado baixo&#8230;</p>
<p>Este comentário é oriundo de alguem que anda, pratiqua e pensa dentro dos vazios urbanos há alguns anos e que tem medo que as ideias e propostas oriundas desta trienal seja apenas outdoors a mais ao lado daqueles que ja vendem opel corsa e creme anti-rugas pousados em algum vazio qualquer e numerosas edições de catalogos&#8230;</p>
<p>Miels Supico aka Desamparadinho&#8230;&#8230;..</p>
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	<item>
		<title>Comentário em Pensar os Vazios Urbanos por mesa15</title>
		<link>http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-23</link>
		<dc:creator>mesa15</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Feb 2007 14:31:06 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-23</guid>
		<description>Já há informações sobre os bilhetes e respectivo preço?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Já há informações sobre os bilhetes e respectivo preço?</p>
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		<title>Comentário em Pensar os Vazios Urbanos por Márcio Campos</title>
		<link>http://trienaldelisboa.wordpress.com/2007/02/19/18/#comment-22</link>
		<dc:creator>Márcio Campos</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Feb 2007 12:43:46 +0000</pubDate>
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		<description>Na realidade de uma metrópole, o fenómeno fracturante que designamos por “vazios urbanos”, torna-se nefastamente em algo recorrente, mas não apenas no presente. Na evolução das cidades, a má gestão territorial, que muitas das vezes é originada por vontades políticas e interesses económicos, tem como consequência a origem de espaços marginalizados, desprovidos de qualquer vivência ou de qualquer racionalização urbanística. Estes espaços deixados ao abandono, são potencializadores da degradação do ambiente urbano e, consequentemente, do tecido social.
Quanto a mim, os “espaços vazios” terão que complementar os “espaços cheios”. Este complemento consegue-se através do equilíbrio destas duas condições, na medida em que o espaço público por si só, é potencializador da vida em cidadania. Assim, o território em desuso, terá que ser pensado como um ponto de partida para a resolução dos problemas, no que respeita à requalificação e revitalização das cidades, não baseado na especulação imobiliária e económica, mas sim como uma visão sustentável da urbe. 
Estes espaços terão que possuir um carácter unificador e não rupturante, na malha e no desenho da cidade. O ambiente urbano valoriza-se automáticamente, se os vazios urbanos forem pensados para servirem e serem parte integrante da cidade, criando as sinergias e dinamismo tão necessárias na relação humana.
Equipas interdisciplinares compostas por Arquitectos, Urbanistas, Arquitectos Paisagistas, Sociólogos, Geógrafos, deveriam-se desbruçar sobre esta problemática, na tentativa de identificar os casos mais problemáticos (para além daqueles que são do domínio público), de forma a encontrarem-se soluções para cada situação. Cada caso é um caso e cada realidade terá que ser vista e reflectida, de acordo com as questões sociais, ambientais e históricas do local, mas sempre numa perspectiva em prol do desenvolvimento sustentável.
A Trienal de Arquitectura de Lisboa 2007, irá proporcionar uma discussão pública saudável e oportuna em torno desta problemática. Será um momento interessante de reflexão e de procura de novas soluções.
Felicito toda a equipa que está por detrás deste grandioso evento de Arquitectura..

Márcio Campos, Arquitecto</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Na realidade de uma metrópole, o fenómeno fracturante que designamos por “vazios urbanos”, torna-se nefastamente em algo recorrente, mas não apenas no presente. Na evolução das cidades, a má gestão territorial, que muitas das vezes é originada por vontades políticas e interesses económicos, tem como consequência a origem de espaços marginalizados, desprovidos de qualquer vivência ou de qualquer racionalização urbanística. Estes espaços deixados ao abandono, são potencializadores da degradação do ambiente urbano e, consequentemente, do tecido social.<br />
Quanto a mim, os “espaços vazios” terão que complementar os “espaços cheios”. Este complemento consegue-se através do equilíbrio destas duas condições, na medida em que o espaço público por si só, é potencializador da vida em cidadania. Assim, o território em desuso, terá que ser pensado como um ponto de partida para a resolução dos problemas, no que respeita à requalificação e revitalização das cidades, não baseado na especulação imobiliária e económica, mas sim como uma visão sustentável da urbe.<br />
Estes espaços terão que possuir um carácter unificador e não rupturante, na malha e no desenho da cidade. O ambiente urbano valoriza-se automáticamente, se os vazios urbanos forem pensados para servirem e serem parte integrante da cidade, criando as sinergias e dinamismo tão necessárias na relação humana.<br />
Equipas interdisciplinares compostas por Arquitectos, Urbanistas, Arquitectos Paisagistas, Sociólogos, Geógrafos, deveriam-se desbruçar sobre esta problemática, na tentativa de identificar os casos mais problemáticos (para além daqueles que são do domínio público), de forma a encontrarem-se soluções para cada situação. Cada caso é um caso e cada realidade terá que ser vista e reflectida, de acordo com as questões sociais, ambientais e históricas do local, mas sempre numa perspectiva em prol do desenvolvimento sustentável.<br />
A Trienal de Arquitectura de Lisboa 2007, irá proporcionar uma discussão pública saudável e oportuna em torno desta problemática. Será um momento interessante de reflexão e de procura de novas soluções.<br />
Felicito toda a equipa que está por detrás deste grandioso evento de Arquitectura..</p>
<p>Márcio Campos, Arquitecto</p>
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